Valorizar as grandes florestas

Amazónia: o pulmão do planeta Terra
amazonia - amazonia
É IMPORTANTE PRESERVAR A AMAZÓNIA
A floresta amazónica poderá transformar-se num activo económico mais valorizado nas próximas décadas, afirma o especialista ambiental brasileiro Paulo Moutinho, que defende a compensação financeira de países em desenvolvimento que reduzam as emissões poluentes para a atmosfera.
Paulo Moutinho, um luso-brasileiro coordenador geral do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM), entende que é preciso haver uma “definitiva valorização das florestas”, pois o volume de carbono preservado na Amazónia brasileira pode evitar prejuízos económicos no futuro.
“A floresta é um grande armazenamento de carbono, quase 40 por cento do total da floresta em solo brasileiro está em área de preservação ambiental. Se estas áreas forem transformadas em pastos ou cultivo de forma extensiva, pode gerar impactos cada vez maiores para a economia mundial e na mudança do clima global”, avisa.
Paulo Moutinho participa, nesta semana, da conferência internacional “Amazónia em Perspectiva: Ciência Integrada para um Futuro Sustentável”, que decorre em Manaus, e o tema de sua palestra é sobre os cenários para o desenvolvimento sustentável.
Este grande evento científico traz como foco principal a integração de resultados recentes de pesquisas feitas na área de biodiversidade, clima, alteração ambiental, e também no desenvolvimento sustentável.
Em declarações à Agência Lusa, Moutinho defende a necessidade da preservação “ser estimulada e este esforço valorizado” e aponta que os esforços feitos pelo Brasil não estão a ser reconhecidos.
“Não há nenhum mecanismo de compensação. É caro manter a floresta de pé porque o país deixa de produzir produtos valorizados no mercado internacional”, considera.Mesmo assim, segundo o cientista ambiental, é mais barato investir na preservação do que mudar a matriz energética. O “grande problema do aquecimento global”, sublinha Moutinho, é a queima de combustível fóssil.
Cerca de 20 por cento das emissões de gases de efeito estufa provêm da queima e abate de florestas como a Amazónia. O especialista salienta que a redução de uma tonelada de dióxido de carbono por queima de combustível fóssil custa entre 130 e 150 dólares (quase 120 euros). Na Amazónia, a preservação varia de 5 a 8 dólares (seis euros) por tonelada de dióxido de carbono.
Paulo Moutinho é adepto ao conceito de “redução compensada”, lançado em 2003 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPPC). De acordo com a lógica de compensação financeira, o cientista explica que o Brasil poderia ser compensado com um montante de 500 a 600 milhões de dólares (mais de 470 milhões de euros) de compensação.
“Este valor é hipotético do que poderia ser captado pelos países em desenvolvimento se fizermos um cálculo para uma redução de cinco a 10 por cento da taxa de desmatamento abaixo da média histórica”, refere.
Mesmo ainda não formalizada, esta lógica já tem sido utilizada. Moutinho cita o Fundo Amazónia, criado em Agosto deste ano pelo governo brasileiro sob a gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES), que funciona com este mecanismo.
O fundo destina financiamentos não reembolsáveis de projectos que contribuam para acções de combate à desflorestação e às emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, além de promover o uso sustentável da Amazónia brasileira.
“A ideia de compensar os esforços dos países em desenvolvimento já está a acontecer no mercado. No fundo, o governo brasileiro reduz, comprova a redução e recebe a compensação. O Brasil é muito avançado, pois tem um sistema de monitorização de desmatamento e é capaz de comprovar o volume que deixou de ser desmatado”, explica.
Para o investigador, o dilema entre crescimento e desenvolvimento “não faz mais sentido”, a meta actualmente é pensar o desenvolvimento a partir da preservação.

3 respostas para “ Valorizar as grandes florestas ”

  1. maria da graça glüer disse:

    Bonito ver um assunto desta importância apresentado com esta riqueza de detalhamento:
    em um blog PORTUGUÊS.
    Infelizmente, faz-se necessário lembrar que o desmatamento no Brasil é problema crônico,
    tendo começado desde os primórdios de nossa história.
    É sabido que todo de processo de colonização e extrativismo,
    caracterizou-se na busca do lucro fácil e rápido.
    Hoje, sofrem-se as conseqüências de séculos de erros consecutivos.
    Que evidentemente deixaram seqüelas, algumas beirando à irreversibilidade.
    Mas… nem tudo está perdido.
    A colocação séria desta questão por estudiosos renomados como o senhor Moutinho,
    que não a faz baseado no sentimentalismo (como alguns grupos ambientalistas )
    mas sim, com embasamento sólido em evidências científicas;
    Pode resultar na conscientização e conseqüente
    repercussão MUNDIAL da importãncia que possa ter cada metro quadrado
    eventualmente preservado em terras amazônicas.

  2. karol disse:

    não sei só quero saber a resposta dessa pergunta: As grandes florestas.Onde estão?????

  3. maria da graça glüer disse:

    Pesquisando por Paulo Moutinho é possível ter idéia estatística
    através de várias matérias publicadas
    sobra as florestas não tão grandes …
    mas exatamente por isso, muito importantes
    que restaram nesta amada mãe TERRA
    e o que fazer para preserva-las

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